Existem muitas informações desencontradas sobre o cross dressing. Muitos alinham a orientação sexual e a identidade de gênero a uma prática que se baseia puramente no comportamento ou na arte enquanto visual e performance.

As confusões não param por aí; adeptos do cross dressing são confundidos também com travestis ou transsexuais, mesmo que não sejam necessárias alterações hormonais ou cirurgias para ser um cross dresser. Confusões com drag queens também são comuns, ainda que a linha que os divide seja tênue.

A fim de esclarecer todas essas questões, dedicaremos a publicação de hoje para explicar o que é o cross dressing.

Curioso? Então continue conosco!

Identidade

Ser um cross dresser significa vestir-se com roupas do gênero oposto ao seu. Isso significa que tanto homens e mulheres podem ser adeptos, e não apenas homens, como muitas pessoas pensam de forma equivocada.

O cross dressing se estrutura na identidade, mas não necessariamente envolvendo o gênero. Um homem pode se identificar como homem, mas, ainda assim, se vestir como mulher. O motivo? Podem ser vários:

– A pessoa se sente mais confortável naquelas vestes.
– Se enxerga “mais próxima de si mesma” com aquelas roupas.
– Tem algum fetiche com determinas peças e, por isso, as usa.

Alguns exemplos clássicos de cross dressers são Mulan, que se veste de homem para se passar por um soldado no exército chinês; a francesa Joana D’Arc, hoje um dos ícones de liberdade e empoderamento feminino; e Maria Quitéria, a representante brasileira de coragem e nacionalismo durante o período colonial do país.

Essas mulheres não eram obrigadas a se vestirem dessa forma; apesar disso, sentiam-se mais a vontade em seu meio e eram melhor reconhecidas por seus pares quando usavam essas vestimentas. É por isso que reforçarmos que tudo se baseia na identidade.

Cross dressing, drag queen, transexual e travesti: as diferenças

Um adepto do cross dressing pode ser heterossexual ou homossexual. Uma drag queen também. Ambos apenas usam roupas do gênero oposto ao seu, com a diferença de que um cross dresser veste-se assim no dia a dia, enquanto a drag queen, independentemente de seu gênero, veste-se como mulher e aposta no visual caricato para fins performáticos.

Um exemplo de cross dressing é o cartunista Laerte, que passou anos se vestindo como mulher enquanto se identificava como homem. Em um determinado momento, porém, decidiu assumir-se uma mulher transexual, apesar de não ter passado por nenhuma cirurgia.

O transexual pode ou não passar por uma cirurgia de mudança de sexo. A característica principal que o define é o desconforto com seu gênero de nascença. O travesti, por sua vez, gosta de se caracterizar com o sexo oposto mas não tem necessidade de passar por nenhum procedimento cirúrgico que envolva sua genitália.

Por que ser um cross dresser?

A busca pela auto estima é um ponto comum em todas as pessoas. Buscamos sempre nos sentir bem enquanto indivíduos, e isso pode gerar algumas mudanças de comportamentos, atitudes e identidades.

Isso envolve desde um regime para emagrecer, ou mudar um penteado, comprar uma roupa bonita ou se especializar em uma determinada área de atuação. No caso dos cross dressers, a auto estima está intimamente ligada com o visual e comportamento do gênero oposto e o desejo de adotá-los, mesmo que momentaneamente.

Seja se vestir de mulher para uma balada, ou usar roupas masculinas no dia a dia, essas pessoas estarão sempre buscado a própria auto-estima – e a figura do supportive opposite pode ajudar bastante nisso.

Trata-se do parceiro ou parceira que aceita e a apoia a prática do cross dressing. E, por parceiro ou parceira, entende-se um amigo, uma esposa, um familiar… Enfim, um ponto de apoio que torna esse estilo de vida mais receptivo.

É por isso que devemos combater o preconceito quanto aos cross dressers e a qualquer outro indivíduo que se identifique de uma forma mais particular: estamos mexendo com a auto-estima e, consequentemente, com a vida dessas pessoas.

Abandonar rótulos e conhecer a fundo essas práticas é fundamental para uma sociedade mais igualitária e empática!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *